...o que a minha mãe me dava em miúda na noite anterior a qualquer evento especial para dormir melhor. ...o que de vez em quando ainda me dava jeito que a minha mãe me desse. ...um dos aromas que eu mais gosto. ...são reflexões que me assaltam.

15
Ago 14
Acordou com o sol a bater-lhe no rosto. Abriu os olhos e ainda mal acordada perguntou a si mesma onde e que estaria. O sono tinha sido agitado com sonhos estranhos povoados de pessoas a quem a muito tempo tinha perdido o rasto.
Lembrou-se que era sexta-feira e nao tinha que ir trabalhar. Espreguicou-se e ficou na cama.
Lembrava-se sempre dos sonhos que tinha, o que a maior parte das vezes a irritava por serem demasiado confusos ou demasiado perturbadores.
Em tempos houve alguem que a primeira coisa que lhe dizia quando acordava era "conta-me o que sonhaste hoje". Tambem detestava isso. Os sonhos nao se contam. Quando fazem algum sentido so fazem sentido para quem o sonhou. Mais ninguem por muito boa vontade que tenha os compreende. Ou talvez os compreenda de uma maneira que nao tem nada a ver com o que querem dizer na realidade.
Os sonhos desta noite nao tinham pes nem cabeca. As pessoas que apareciam neles ha muito que tinham desaparecido da sua vida e de algumas nem sequer do nome se lembrava.
Abanou a cabeca como que a enxota-los da memoria. Passado e passado. Nada tem a ver com o presente.
Levantou-se. Ligou o ar condicionado.
Hoje e o primeiro dia do resto da tua vida.
E hoje e fim-de-semana.
Carpe diem.
publicado por aguadeflordelaranjeira às 18:53

04
Ago 14

O vento soprava forte. A sua frente abria-se o mar cinzento e revolto, trazendo consigo salpicos de agua salgada e espuma e o cheiro forte a maresia. O ceu parecia que ia cair a qualquer momento, de pesado e carregado que estava. Mesmo assim as pessoas continuavam na praia (afinal era Julho e os dias de ferias nao se podiam desperdiçar fechados na casa alugada a quinzena).

A sua frente as miudas brincavam na areia indiferentes ao tempo. O balde, a pa, uma corda para saltar, o mar a brincar-lhes nos pes fazendo-lhes cocegas. ''Nao me apanhas! Nao me apanhas!'' As rochas para trepar. Qual vento, qual tempestade!! Ar livre! Podiam chover picaretas que ninguem as fazia ir para casa.

As gaivotas voavam tao baixo que quase razavam as cabeças. Lembranças de um filme de Hitchcock cheio de passaros por todos os lados. ''Sera que nos vao comecar a picar os miolos?'' - pensou assustada. ''Tolice! Olha as miudas que as assustas e depois nao ha quem as faça dormir a noite!'' Na realidade quem nao iria dormir era ela apesar de todo o cansaço que ainda sentia depois de uma viagem tao longa. Aquele filme sempre a tinha perturbado desde que o vira a primeira vez em miuda, ja la ia uma eternidade...

Voltou a olhar para o mar. Como era diferente do que via desde ha dois anos e como ainda se lembrava e amava o cheiro, a cor e as ondas revoltas que o caracterizavam. Fechou os olhos para gravar bem todos os sentidos para o tempo do deserto. ''Se ao menos o pudesse levar comigo.'' Pegou na maquina fotografica e disparou vezes sem conta na ansia de captar toda a sua essencia. Quem disse que na Ericeira o mar e mais azul? Nos dias calmos talvez mas nao em dia de mares vivas como aquele e que eram os seus favoritos. Era capaz de estar horas a olhar para ele e sempre se maravilhava com os efeitos de luz das ondas e a dança das gaivotas ao sabor do vento. Como amava o mar e aquele em especial.

Uma onda mais forte chegou ao lugar onde tinham as toalhas e os sacos. Menos mal - so molhou uma das toalhas, mas as miudas começaram num alvoroço entre o divertimento e o susto. ''Tia, nao vamos ja para casa esta bem?'' - perguntou a mais velha. A mais nova afirmou com ar decidido :''Nao gosto de praia.'' - ''Porque?!'', perguntou incredula. ''Porque tem areia. E eu nao gosto de areia.'' Evitou uma gargalhada e respondeu '' Ok. Vamos procurar uma praia com areia suficiente para estenderes a tua toalha e ficares o resto do tempo em cima dela. Assim ficamos todas contentes.''

Depois de reunir as tralhas e adocar os pes, subiram a rampa da Praia do Sul em direcçao ao carro. Se nao fossem as garotas teria ficado ali na esplanada o resto da tarde a olhar para o mar cada vez mais revolto, cinzento e branco como a cabeleira de um velho lobo do mar. ''Fica para a proxima'', pensou. O riso e as brincadeiras das princesas chamavam mais alto e depois de por o carro a trabalhar foram a caça de uma praia com areia mas suficientemente grande para se estender uma toalha e brincar sem pisar um unico graozinho da mesma.

publicado por aguadeflordelaranjeira às 17:10

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