...o que a minha mãe me dava em miúda na noite anterior a qualquer evento especial para dormir melhor. ...o que de vez em quando ainda me dava jeito que a minha mãe me desse. ...um dos aromas que eu mais gosto. ...são reflexões que me assaltam.

09
Fev 14

As fotos que vejo arrepiam-me: tão belas mas tão violentas. Ondas enormes que se erguem junto à costa e pessoas minúsculas (com minúsculos cérebros talvez) tão perigosamente perto delas. Trazem-me à lembrança pesadelos recorrentes que tenho em que ondas gigantes se erguem à minha frente e me paralisam de medo. Invariávelmente acordo antes de alguma me engolir, mas a sensação de medo e de perigo acompanha-me pelo dia fora.

 

O que se passou com o mar que está tão zangado? O que se passou com o vento que sopra tão forte e a chuva que não pára de cair?

 

Neste décimo andar no meio do deserto ao olhar as fotos parece que ouço o ribombar das ondas, sinto o salpico do mar nos meus braços nús e o vento a uivar por entre o prédio. Acordo e vou à janela ver se está a chover. Mas tudo o que vejo é uma terra seca, cansada, estéril e poeirenta, um sol desmaiado pela areia que o cobre; sou atingida pelo vento seco e frio. Ainda é inverno aqui no deserto mas tão diferente do inverno lá de casa.

 

Visto o casaco por cima da farda. Aperto-o bem até ao pescoço. Ponho os óculos escuros e saio para o trabalho. Ainda não é hoje que vejo gaivotas a dançar como doidas por sobre Riyadh nem que sinto o cheiro do mar salgado da Costa Nova.

publicado por aguadeflordelaranjeira às 18:04

03
Fev 14

Sabes, às vezes as acções ou as palavras correm mais depressa que o bom senso ou a cautela. E acabamos por perder boas oportunidades para estar calada e quieta. E pomos de novo em risco tudo aquilo que não queremos perder. E volta o fantasma do passado recente a ensombrar as noites e os dias.

 

Parva que sou. Ainda não aprendi totalmente. Apenas parei a tempo de as coisas não piorarem.

 

Olho para as fotos das ondas enormes que assolam a costa e penso que, por vezes, sou assim para ti como aquelas ondas. Elevam-se de repente, sem aviso prévio e levam tudo pela frente, destruindo e alagando aquilo que era bonito e estava em ordem. Outras vezes penso que estou no meio daquele mar revolto e só a âncora que me segura me impede de partir à desgarrada e sem rumo, ao sabor das ondas e talvez acabando destruída na praia.

 

Seja como fôr. Hoje não foi um dia brilhante. Ainda deixei as palavras sairem como ondas na tempestade...e talvez tenha causado algo estrago.

publicado por aguadeflordelaranjeira às 18:10

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