...o que a minha mãe me dava em miúda na noite anterior a qualquer evento especial para dormir melhor. ...o que de vez em quando ainda me dava jeito que a minha mãe me desse. ...um dos aromas que eu mais gosto. ...são reflexões que me assaltam.

26
Jan 14

A noite está fresca e o vento sopra sobre as copas das árvores. Sigo o meu caminho de regresso a casa. Nem dou atenção a quem passa por mim e a estrada super-movimentada à minha frente parece que abranda para me deixar atravessar.

 

 

Na cabeça apenas um fado que canta desde que acordei e a lembrança de (foi sonho com certeza) alguém que conta aventuras de alto-mar, saídas à procura de mantimentos, passagens pelo Equador com Neptunos e ovos à mistura, de ondas enormes que me povoam as noites e que fazem querer desistir, seguidas de mares calmos e tranquilos como só se vê depois das grandes tempestades, homens arrastados pelo mar para não voltarem mais, mulher a bordo causando burburinho, buracos na parede e saltos para piscinas de repente vazias de água, narizes partidos e enfermeiros alcoólicos.

 

 

Uma miúda com cara de lua cheia e olhos enormes, sentada na cadeira pequenina, ouvindo essas histórias que lhe aumentam o tamanho dos faróis esverdeados e querendo ouvir mais e mais. Imaginando-se a vomitar feita louca no meio das montanhas de água que desde sempre aterrorizam os seus sonhos.

 

De repente sobressalto-me com o chamamento para a última oração do dia - Isha. Olho em volta e dou-me conta que não há mar - apenas uma cidade feia e poeirenta.

 

Na cabeça Carminho continua a cantar o mesmo fado.

 

Rodo a chave na porta.

 

Entro em casa.

 

Acabou o dia.

publicado por aguadeflordelaranjeira às 18:50
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