...o que a minha mãe me dava em miúda na noite anterior a qualquer evento especial para dormir melhor. ...o que de vez em quando ainda me dava jeito que a minha mãe me desse. ...um dos aromas que eu mais gosto. ...são reflexões que me assaltam.

09
Fev 14

As fotos que vejo arrepiam-me: tão belas mas tão violentas. Ondas enormes que se erguem junto à costa e pessoas minúsculas (com minúsculos cérebros talvez) tão perigosamente perto delas. Trazem-me à lembrança pesadelos recorrentes que tenho em que ondas gigantes se erguem à minha frente e me paralisam de medo. Invariávelmente acordo antes de alguma me engolir, mas a sensação de medo e de perigo acompanha-me pelo dia fora.

 

O que se passou com o mar que está tão zangado? O que se passou com o vento que sopra tão forte e a chuva que não pára de cair?

 

Neste décimo andar no meio do deserto ao olhar as fotos parece que ouço o ribombar das ondas, sinto o salpico do mar nos meus braços nús e o vento a uivar por entre o prédio. Acordo e vou à janela ver se está a chover. Mas tudo o que vejo é uma terra seca, cansada, estéril e poeirenta, um sol desmaiado pela areia que o cobre; sou atingida pelo vento seco e frio. Ainda é inverno aqui no deserto mas tão diferente do inverno lá de casa.

 

Visto o casaco por cima da farda. Aperto-o bem até ao pescoço. Ponho os óculos escuros e saio para o trabalho. Ainda não é hoje que vejo gaivotas a dançar como doidas por sobre Riyadh nem que sinto o cheiro do mar salgado da Costa Nova.

publicado por aguadeflordelaranjeira às 18:04
 O que é? |  O que é? | favorito

Fevereiro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28


arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO